segunda-feira, novembro 30, 2009

O NEGRO E O VERMELHO

O panteísmo lógico

O falanstério abrange tudo, explica tudo, basta a tudo... Na prática vulgar, e quando só se trata de angariar partidários, esta dialéetica pode, até certo ponto, defender-se e oferecer mesmo certas vantagens: não tendo o convertedor nada a contestar, nenhum erro a destruir, nenhum preconceito a combater, todo o seu trabalho, com respeito ao neófito, consiste numa simples super-infusão de ideias e de dogmas. Desde que o discípulo retenha fielmente a profissão de fé do mestre, e saiba repeti-la a propósito, ele recebeu a luz: resta apenas arregimentá-lo.
Mas, em teoria, e quando é preciso explicar a razão da sua crença, este modo de proselitismo está sujeito a graves inconvenientes.
Como é tão impossível tornar verdadeira uma ideia falsa através da justificação de outras ideias como fazer crescer figos sobre silvas excitando um transbordamento da seiva, cedo ou tarde, acontece que o novo convertido, apercebendo-se das contradições que abundam no seu espírito, ou procura conciliar-se consigo próprio, o que o conduz ao cisma, ou então desanima com a verdade, o que o arrasta para o cepticismo. Esta infelicidade aconteceu já a vários falansterianos.
Quanto a mim, sempre pensei que... o erro permanecia para sempre inconciliável com a verdade. É por isso que detesto o panteísmo lógico tal como o religioso: porque se este último é a moral, o outro é a negação da razão. (Avert. aux Pr.)

D. O humanimo ateu

Para mim, lamento dizê-lo - porque sinto que uma tal declaração que separa da parte mais inteligente do socialismo é-me impossível, por mais que pense nisso, concordar com esta deificarão da nossa espécie, que não é, no fundo, para os novos ateus, senão um último eco dos terrores religiosos; que sob o nome de humanismo, reabilitando e consagrando o misticismo, traz para a ciência o preconceito, para a moral o hábito, para a economia social a comunidade, isto é, o enfraquecimento e a miséria; para a lógica o absoluto, o absurdo. É-me impossível, digo-o, aceitar esta nova religião, pela qual procuram em vão interessar-me dizendo-me que sou seu deus. (Contr. Écon., cap. XI.)

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